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Roberto Bonaldo
Capa de O Deserto
Volume Um

O Deserto

Há perguntas que não pedem respostas. Pedem presença.

Malik tem 42 anos, uma profissão que o define e uma vida que parece, de fora, resolvida. Por dentro, algo já parou de fazer sentido há tempos — e ele não sabe precisar quando.

O Deserto acompanha os dias em que Malik deixa de conseguir fingir. Não há uma queda espetacular, nem uma decisão heroica. Há o silêncio se acumulando, uma costura antiga se rompendo aos poucos, e as pessoas ao redor — um filho, uma ausência chamada Sara, um espelho chamado Noam — tentando entender o que restou dele.

Não é sobre atravessar. É sobre não ir embora.

Capítulo 22 — Ficar

Mais tarde, o celular vibrou na mesa da cozinha. Tela acesa. Uma linha de Sara.

— Ele está acreditando em você. Não o decepcione!

Malik leu. A luz da tela refletiu no vidro da janela. O coração disparou. Contou. Acalmou e respondeu.

— Não posso prometer. Mas estou aqui.

O Deserto nasceu como um fragmento de prosa de cerca de 8.500 palavras, sem título definido. Cresceu ao longo de meses até se tornar o primeiro volume de uma trilogia — e todo o processo, da primeira frase à diagramação final, foi conduzido pelo próprio autor.

A imagem da tapeçaria costurada, presente nas três capas, é o fio visual que amarra os volumes: em O Deserto, a figura de Malik apenas toca a borda. Em Depois do Deserto, ele atravessa. Em A Herança do Deserto, três figuras entram juntas.

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