O Deserto
Há perguntas que não pedem respostas. Pedem presença.
Malik tem 42 anos, uma profissão que o define e uma vida que parece, de fora, resolvida. Por dentro, algo já parou de fazer sentido há tempos — e ele não sabe precisar quando.
O Deserto acompanha os dias em que Malik deixa de conseguir fingir. Não há uma queda espetacular, nem uma decisão heroica. Há o silêncio se acumulando, uma costura antiga se rompendo aos poucos, e as pessoas ao redor — um filho, uma ausência chamada Sara, um espelho chamado Noam — tentando entender o que restou dele.
Não é sobre atravessar. É sobre não ir embora.
Mais tarde, o celular vibrou na mesa da cozinha. Tela acesa. Uma linha de Sara.
— Ele está acreditando em você. Não o decepcione!
Malik leu. A luz da tela refletiu no vidro da janela. O coração disparou. Contou. Acalmou e respondeu.
— Não posso prometer. Mas estou aqui.
O Deserto nasceu como um fragmento de prosa de cerca de 8.500 palavras, sem título definido. Cresceu ao longo de meses até se tornar o primeiro volume de uma trilogia — e todo o processo, da primeira frase à diagramação final, foi conduzido pelo próprio autor.
A imagem da tapeçaria costurada, presente nas três capas, é o fio visual que amarra os volumes: em O Deserto, a figura de Malik apenas toca a borda. Em Depois do Deserto, ele atravessa. Em A Herança do Deserto, três figuras entram juntas.
Este é o mesmo código impresso na contracapa do livro físico. Serve para voltar a esta página depois, ou compartilhar com alguém que ainda não leu.